O primeiríssimo post desse blog que finalmente saiu do papel será um desabafo pessoal meu. Eis que peguei uma carona com meu pai nessas férias e um fulano amigo dele também estava no carro. Quando o ser vivo saiu, me deu tchau e eu respondi. Só que eu tenho certas disfunções de voz; ou eu grito ou eu sussurro. Enfim, o fulano não ouviu meu tchau e meu pai ficou fulo.
Veja só, quanto tempo de nossas preciosas vidinhas nós gastamos cumprimentando estranhos, falando amenidades, etc. Sei lá, já pararam pra pensar se isso é realmente necessário? Quer dizer, eu sei que sou um pouco anti-social, mas será que faz diferença na vida de alguém que você nunca mais vai ver na VIDA você dizer "Oi, tudo bem?". Eu não ligo de não ser cumprimentada.
Bom, isso me leva ao questionamento de que talvez seja traumatizada com toda essa história porque quando era criança e tinha algum encontro familiar e meu pai ficava fazendo coisas do tipo "Vai, cumprimenta! Já cumprimentou todo mundo? Dá beijo direito, deixa eu ver!"... Que coisa, né gente. Tem coisa mais forçada do que você ser mandado dar beijo em alguém? Depois, você sempre pode passar por situações com tias gordas do tipo "De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe?" que evoluem para "E os paquerinhas?" na puberdade.
Estou fazendo uma digressão muito longa. O ponto é: O mundo é um lugar grande, cheio de pessoas aleatórias e você vai topar com milhões, mas se relacionar com centenas. POR QUE temos que perder tempo fingindo que somos amigos ou nos importamos com pessoas que vão passar nas nossa vidas apenas por alguns minutos? Gente, eu podia gastar esse tempo com atividades mais produtivas.
Eu faço a linha Elenita: Só discuto com quem é relevante pra mim. Acho que darei um upgrade nessa filosofia: Só cumprimento quem é relevante pra mim. Agora, voltando ao causo que provocou esse meu chilique, meu pai discursou por longos minutos sobre como o amigo tinha ficado sem graça e amuadinho com a minha suposta falta de educação(gente, se eu soubesse que ia levar sermão de qualquer maneira, nem tinha falado meu tchau baixinho). Agora, sério. Eu fiquei me perguntando se o fulando tinha mesmo se magoado com isso. Será que ficou remoendo, estilo "Ela não me deu tchau, será que tinha meleca no meu nariz?" ou pior; "Não sirvo para ninguém mesmo, vou cortar os pulsos". Me deu até culpa. Sei lá. Vai que sou um alienígena que não se importa em ser ignorada por estranhos? Seriamente pensei em procurar o telefone e ligar para o cara. Mas imagina o diálogo.
- Alô.
- Alô, fulano, tudo bem? Aqui é a Ana, sabe? Aquela que estava no carro quando você pegou uma carona com o pai dela?
- Ahhnn... sei....
- Então. Estou ligando só pra dizer que houve um mal-entendido. Eu falei tchau baixinho e você não ouviu, mas eu falei, tá? Você não foi ignorado. Não tinha meleca no seu nariz.
- Tu, tu, tu, tu...
Por: Ana C.